Contabilidade de Hedge e Gestão de Riscos - 

Tratamento dos Riscos Financeiros no IFRS 9 e a DRF-Demonstração de Riscos Financeiros

Enio Bonafe · 131 visualizações · 04 mar 2026 11:06

O tema une dois assuntos que não se conversam com habitualidade, derivativos e contabilidade. Apesar dos derivativos terem um espaço importante dentro da contabilidade, com o Hedge Accounting sendo um tema de absoluta relevância para a boa gestão da função financeira da empresa, as discussões teóricas e conceituais deste tipo de instrumento financeiro não fazem parte do repertório diuturno dos contadores. A recíproca é verdadeira; a contabilização desses instrumentos não faz parte do dia-a-dia dos economistas e financistas que mais transitam pela teoria dos derivativos. A conclusão é que fica um vazio importante na intersecção de esforços para desenvolver uma representação contábil mais adequada àqueles instrumentos. Este é um dos pontos que torna o tema deste livro tão relevante, desbravar essa intersecção entre derivativos e contabilidade é fundamental para que se avance na melhoria da representação fidedigna da realidade econômica nos relatórios financeiros.

Os derivativos, atualmente, ainda são capturados de forma incompleta pela contabilidade, deixando de fora do registro contábil principalmente o risco oriundo desses instrumentos financeiros. O livro oferece casos que ilustram bem esse ponto, quando, por exemplo, um derivativo é contratado e nada aparece na contabilidade, isso acontece porque o derivativo só tem o seu valor justo registrado nos relatórios contábeis, e esse valor justo no momento inicial com muita frequência é zero. Com a contratação do derivativo, a realidade econômica da empresa pode ter sido expressivamente alterada, e a contabilidade não capturou essa mudança de realidade. Isso nos deixa em dívida com os princípios contábeis mais basilares de representação fidedigna.

A solução trazida pelo autor para melhorar a fidedignidade da representação dos derivativos é a decomposição contábil daqueles instrumentos financeiros em um ativo e um passivo, que mostrarão o risco financeiro dos instrumentos e permitirão a reconciliação contábil com o valor justo dos mesmos. Esse ativo e passivo oriundos da decomposição ficarão registrados em contas de compensação, resolvendo o dilema de transparecer os riscos e resultados potenciais sem alterar o registro patrimonial pelo valor justo dos instrumentos. Confesso que eu mesmo, a época da tese originadora deste livro, a princípio não gostava da ideia de utilizar as contas de compensação, pois há tempos elas já não eram mais utilizadas na contabilidade internacional. Porém, com a robustez dos resultados obtidos e os exemplos oferecidos, temos que reconhecer a utilidade do mecanismo de decomposição contábil mostrados na tese e agora no livro. Além disso, o próprio Banco Central do Brasil nunca abriu mão das contas de compensação justamente por questões de controle e integridade, bem como o Conselho Federal de Contabilidade também não aboliu as contas de compensação, mostrando que há utilidade nas mesmas.

Como corolário extremamente útil da tese central do livro, o autor apresenta a Demonstração de Riscos Financeiros (DRF), um relatório que pode ser amplamente utilizado pelas empresas para avaliar sua exposição ao risco de cada fator primitivo de risco. A segurança contábil que esse relatório dá aos usuários externos e internos é de suma importância na gestão financeira e na avaliação dos riscos assumidos pela empresa. Afinal, como o autor chama a atenção no seu trabalho, a contabilidade é a única área dentro da empresa que está preocupada em garantir a integridade dos números financeiros, e a DRF expressa essa garantia com a reconciliação dos números contábeis com os números gerenciais da área de administração de riscos financeiros.

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